Descartável

Taí uma palavrinha que eu detesto. É como se fosse uma agressão verbal ao planeta. Quando surgiram os descartáveis devem ter feito um sucesso tremendo, como fazem até hoje, mas agora, já incorporados aos nossos hábitos diários, passam quase despercebidos. Pense no conceito do descartável: usar uma vez e jogar fora. Prático, né? Agora pense pra onde vai esse lixo? Os países de primeiro mundo já estão tentando exportá-lo, uma transferência geográfica e político-administrativa do problema, longe de ser uma solução…
Planeta lixo
Imagine uma festinha de aniversário. Já fez uma? Já ficou até o final? Percebeu a quantidade de lixo gerada pra comemorar mais um ano de vida? Agora imagine quantas festinhas são organizadas diariamente planeta a fora. São diferentes anos de vida comemorados. E alguns anos a menos para o planeta. Você pode alegar que fazer uma festa sem descartáveis é impossível, eu respondo que é difícil, menos prático, mas absolutamente viável. Já fiz várias. Você ainda pode alegar que aniversário é só uma vez por ano, tudo bem. Mas pense no coquetéis, inaugurações, vernissages…
Enquanto os aniversários acontecem uma vez ao ano, cafezinho e água nos escritórios são diários. E muitas vezes por dia. Muitas empresas estão adotando canecas individuais. Pense na economia, não para a empresa, mas para a saúde do meio ambiente. Mas e se não tiver canequinha? Como já disse não sou radical e confesso que eventualmente acabo precisando usar um copinho descartável… Quando isso acontece seguro ele comigo e reutilizo por quantas vezes forem possíveis, enquanto estiver nesse lugar. Gosto de pensar em cada copo que estou economizando. São muitos.
Algumas pessoas pensam que essas atitudes não fazem diferença, que uma só andorinha não faz verão. A essas pessoas digo: as andorinhas estão se reproduzindo e quando chegar o inverno do planeta, juntas elas saberão como sobreviver. No mais é uma questão de perspectiva: o copo pela metade é meio cheio ou meio vazio? Você escolhe.
Deixando os copos de lado transfira esses conceitos pra outros descartáveis do dia-a-dia e a coisa começa a fazer mais sentido. Sacolinhas de supermercado são um caso a parte, trataremos disso depois. Garrafas de água mineral, embalagens individuais, entre tantos outros merecem alguma atenção. Confesso que tenho uma crise com o descartável: reconheço que eles são necessários a assepsia de um ambiente hospitalar, por exemplo. Sou massoterapeuta e muitas vezes preciso utilizar lençóis descartáveis, um sofrimento para o qual ainda não cheguei a uma conclusão.
O conceito de descartável foi tão assimilado pela nossa sociedade que o trasferimos para a cultura, as relações, os conhecimentos. Tudo passando por nossas vidas na velocidade da internet. Solução? Não conheço, nem fui apresentada. O que vale é a consciência e a tentativa de fazer diferente a cada dia.

Vegetariano, eu?

Já fui vegetariana. Não sou mais. Gerar um filho fez com que todo o meu organismo clamasse por proteína. Sei que não acontece com todas as mulheres, mas conheço várias que voltaram a comer carne pelo mesmo motivo que eu. O assunto é muito polêmico, por isso resolvi dar o meu pitaco, sabendo que corro o risco de ser linchada virtualmente…
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Existem diversos motivos pra uma pessoa se tornar vegetariana/vegana. O mais conhecido é o amor ao próximo, no caso todos os seres do reino animal. Não me convence muito. Tem respaldo milenar no Budismo, mas pense comigo: os veganos chamam os “carnívoros” de especistas, por considerarem sua espécie superior e com direito de manipular todas as outras. Acho que a maioria dos carnívoros nem racionaliza isso dessa forma, mas não vem ao caso. Contra esse argumento tenho outro: seriam então os veganos “reinistas” por considerarem o reino animal superior ao vegetal ou ao fungi? Concebo o Universo como um todo indivísivel que se manifesta em formas diversas nenhuma delas superior ou inferior às outras. Creio que fazemos parte da cadeia alimentar como qualquer outro animal. Então não adianta me dizer que os vegetais não possuem sistema nervoso ou que os humanos por serem conscientes devem fazer diferente. Pra mim não cola.
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Um segundo argumento é que proteína animal faz mal a saúde. Dizem que os humanos não são carnívoros pela própria natureza, que o nosso sistema digestivo é muito mais parecído com o dos herbívoros. Mas sabemos também que sem o consumo de origem animal o cérebro humano nunca teria se desenvolvido ao ponto que chegamos atualmente. E nesse caso não teríamos a tal consciência de não nos alimentarmos de nossos semelhantes, os animais. Paradoxal, não acha? Alguns defendem que as toxinas presente na carne são as principais responsáveis pelo aparecimento de tumores malignos. Há controvérsias. E muitas. Outros dizem que as proteínas animais são absolutamente necessárias a nossa saúde e bem estar. Discordo.
O terceiro argumento é para mim o mais convincente e, fosse ele o único, já seria um bom motivo pra abandonar o hábito de comer carne. É o argumento ambiental. Acompanhe. Muita gente diz que não come carne de caças exóticas pois elas estão ameaçadas de extinção, blá. blá. blá… Essas mesmas pessoas comem carde bovina, suína ou de aves em quase todas as refeições diárias. Essas pessoas não pensam ou fingem desconhecer a área de pasto necessária para menter um único boi vivo, quanto mais um rebanho inteiro. A maior parte das áreas de pasto brasileiras foi um dia um ecossistema rico em diversidade ambiental e animal, incluindo os tais animais exóticos, que não foram comidos, mas em muitos casos queimados ou simplesmente perderam o seu espaço na natureza. Praticamente uma promoção da extinção.
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Mas e aí, o quê que eu tenho com isso? Sinto muito, mas tudo. Afinal, você vive nesse planeta. Como disse, não sou vegetariana, nem radical. Mas penso que todos os hábitos que não conseguimos mudar totalmente, uma pequena mudança já é válida como um primeiro passo. Explico: tirando a carne de uma das refeições diárias, ou duas, quem sabe, você já estará reduzindo um quarto, um terço, aproximadamente, do seu consumo. Se conseguir excluí-la em alguns dias da semana, melhor ainda. Sem neura, sem radicalismo, um pouco de cada vez. O seu intestino agradece e o planeta também.