Depois do Crowdfunding

Foram 40 dias. Quarenta dias no ar, porque na verdade teve toda uma preparAção que demorou muito mais do que isso. Da vontade de experimentar o crowdfunding, como um dos canais de materialização dos recursos necessários ao projeto, até o lançamento do mesmo, o percurso foi longo…

Sonhar, transformar o sonho em projeto, entender o ganha-ganha, por quê as pessoas teriam interesse em colaborar, elaborar a campanha e as recompensas, intencionalmente não materiais, no intuito de entender se o crowdfunding funciona pela motivação de contribuir para a realização de um projeto, ao invés da lógica da venda antecipada de um produto. Acho a venda antecipada super válida, mas não era o nosso caso.

Enviar o projeto, melhorar o projeto, gravar o vídeo. Ah… O vídeo… Queríamos fazer um bom vídeo, mas não tínhamos o equipamento, afinal o financiamento é pra isso! Conseguimos tudo no ganha-ganha, trocas, empréstimos e colaborações na filmagem e edição.  Agradeço a realização do vídeo ao meu irmão Ravi Aymara, a sua super companheira Vitória Roque, aos amigos dela Vanessa Reuter e Pedro Erthal, sem os quais o vídeo não teria saído. Agradeço também ao Bruno e aos meninos do 3030, por terem cedido os direitos autorais da música O outro lado, que vocês podem ouvir aqui. Rede é isso!

Não foi fácil. Saibam que o financiamento coletivo é uma ferramenta incrível, mas não é moleza. É preciso avaliar com cuidado o seu projeto, o tamanho da sua rede, a sua disponibilidade pra se dedicar a divulgação e quantas pessoas mais estarão junto com você nesse momento. Dá trabalho. E muito! Eu brinco que dá mais trabalho do que trabalhar pra levantar a mesma quantia em dinheiro! Mas o retorno não é apenas o dinheiro arrecadado. A criação de um coletivo, de uma rede que te acompanha, que acredita e investe na realização do projeto é algo que não tem preço.

Tive muitas dúvidas, me senti sozinha, mesmo com tantas pessoas apoiando, fiquei cansada, percebi que tinha vacilado em algumas estratégias. Em algumas situações me decepcionei com a incompreensão em relação ao financiamento coletivo, me impressionou como o máximo que algumas pessoas parecem alcançar é o conceito de ajudar, o que realmente não é o caso aqui. Contribuir, colaborar, participar é muita mais do que ajudar. Vocês concordam com isso? Deixo essa reflexão para aprofundarmo em outra  oportunidade. Apesar dos tropeços e dificuldades  em nenhum momento desisti de alcançar a nossa meta mínima. Fiz a  campanha com metas progressivas porque queria deixar as portas abertas pra abundância e apresentar nossos próximos passos. Mas considero que avaliei bem o tamanho real do nosso alcance nesse início e  fiquei  imensamente feliz com o resultado!

Foram 40 dias. Quarenta dias observando dia a dia, cuidando, alimentando, convidando, convocando outros a participarem desse sonho conosco. Uma a uma cada colaboração recebida era internamente agradecida, independente do valor, pela participação. Chegamos a 83 benfeitores pela plataforma e mais 10 pessoas que contribuíram em mãos. Alcançamos a primeira meta! Agradecemos imensamente a todos os colaboradores. Tivemos também algumas ofertas de colaborações não financeiras as quais igualmente agradecemos! Com esse resultado nosso compromisso é manter o blog sempre atualizado sobre a nossa jornada, o que não vinha sendo feito com regularidade, pois a demanda de aprender tantas novas habilidades, pra dar conta do Destino Sustentável, acabou me afastando do que mais gosto de fazer: escrever! Alcançar essa meta me diz que, nesse momento, o importante é cuidar do que essencial.

E é agora que começa o trabalho de verdade! Cumprir com o processo de encerramento, receber o dinheiro, reavaliar a escolha dos equipamentos e começar a cumprir com o que combinamos com vocês! Blog atualizado, fotos, skypes sobre a viagem e a partir de março os encontros e oficinas. E, claro, o mais importante, sem o que o Destino Sustentável perderia todo o sentido: as viagens!

Pra começar esse os trabalhos, enquanto não iniciamos nossas novas aventuras vamos relembrar algumas vivências desse último ano e falar sobre algumas pessoas incríveis que conhecemos! Acompanhe e saiba mais sobre nosso percurso até aqui!

Nós continuaremos aceitando contribuições financeiras, participações e trocas, se você tem vontade de colaborar, entre em contato conosco!

 

Casaraça

Ontem tivemos um dia lindo! Amanhecemos comemorando o sucesso do nosso financiamento coletivo! Foi incrível vivenciar na pele a potência de um grupo que se une para apoiar um propósito. Falarei com mais detalhes sobre isso em breve.

Para celebrar ao estilo Destino Sustentável colocamos os pés na estrada e fomos conhecer a Casaraça, na Lagoa de Araçatiba, em Maricá, onde são realizadas oficinas e vivências de bioconstrução, permacultura, geometria áurea e temas afins pelo coletivo Permaquitetos Quânticos. A casa recebe voluntários para colaborar nas atividades do espaço em troca de aprendizado, uma ótima oportunidade, pertinho do Rio de Janeiro pra quem quer colocar as mãos na massa e os pés no chão.

Ontem foi dia de geometria áurea, montamos uma maquete e uma geodésica de 7 metros de diâmetro na beira da lagoa, linda demais!

DSC00645

DSC00657

DSC00667

 

 

 

 

O coletivo Permaquitetos Quânticos, além das atividades na casa também oferece consultorias em projetos de bioconstrução. Se você tem interesse entre em contato com eles aqui.

Matrix

Quando o filme Matrix foi lançado, em 1999, lembro de que foi um marco na indústria cinematográfica. Tanto pelos efeitos especiais quanto pela estória narrada. Matrix, segundo os autores, era um programa de computador criado para controlar as projeções mentais dos humanos enquanto seus corpos adormecidos eram utilizados como fonte de energia para as máquinas. Gosto de escrever e quem escreve sabe, ou pelo menos deveria saber, a responsabilidade que esta habilidade carrega. Quem escreve reinterpreta da realidade a seu modo. E, quando um grande público é alcançado, a escrita é capaz moldar a realidade de milhares de pessoas. Por isto assumi um compromisso comigo mesma. Só escrevo sobre realidades positivas. Só escrevo um futuro no qual eu gostaria de fazer parte.

O filme Matrix mostra de forma bem pessimista, no entanto, bastante contundente a prisão que foi criada para manter a humanidade sob controle. No entanto, a prisão que vivemos atualmente não foi criada pelas máquinas, mas pelos homens. A maioria das pessoas tem sido manipulada com o único objetivo de servir de combustível para o sistema financeiro, para as indústrias e governos.

O filme nos ajuda a ter uma ideia de que o ser humano, neste sistema, é manipulado de tal forma que muitas vezes prefere viver o sonho do que a realidade sombria que é apresentada dentro da nave. Da mesma forma, muitos de nós prefere assistir novelas a ler um livro esclarecedor. Prefere ir à Disneylandia todos os anos do que ir à África para diminuir a injustiça social no mundo. Prefere se anestesiar nas drogas e bebidas do que descobrir a viagem interior em busca de nossa essência.

Qual é o objetivo de estar vivo? A Terra é o único planeta habitado no universo? Por que em tantos lugares do mundo a figura de Deus é passada de geração em geração? Por que a ciência e a tecnologia não foram capazes de nos trazer paz, harmonia e felicidade? Assim como no filme, nossa prisão é mental. E esta prisão é a ilusão de acreditar que o homem é apenas um pedaço de carne e que a morte é o fim de tudo. O homem é filho da Terra, mas é também filho do Sol. Não só o homem, mas tudo o que há na face da Terra. Somos parte matéria e parte energia.

A matéria tem prazo de validade, mas a energia é eterna. O homem que continua prisioneiro deste sistema opta por acreditar que a morte é o fim. Eu prefiro acreditar que a morte, ao final de uma vida produtiva, é o começo da vida em forma de energia. O corpo físico em si não é a prisão. Muito menos a natureza ou a tecnologia ou o sistema financeiro. A nossa prisão, que foi lindamente exposta no filme Matrix, é mental. Basta uma decisão, para que todo o sistema caia por terra. Você escolhe a pílula azul ou a pílula vermelha?

Raquel Teodoro

Vivendo e aprendendo!

Meu nome é Rodrigo Andreazi, tenho 28 anos, formado em Processamento de Alimentos e Massoterapias Shiatsu, Tui Ná, Relaxante e Estimulante. A um ano mudei o destino de minha vida.

Tudo começou quando estudava Processamento de Alimentos e fomentava a ideia , com alguns amigos que faziam Psicologia, sobre o quanto a cidade é insustentável. Se não fosse a Roça dando comida para os supermercados, todos morreriam de fome… Se não fossem os rios distantes, todos morreriam de sede, pois não produzimos nem 1% do que se é consumido nas grandes cidades. Chegar a este pensamento foi perturbador, pois residia em São Paulo e já havia me dando conta que, para viver, só precisávamos de 5 coisas que começam com a letra A. Alimento, Água, Ar (estes três a natureza dá em abundancia o tempo todo), Abrigo (caso tenha uma tempestade) e Agasalho (caso faça um frio do capeta). Ou seja, as 5 coisas que começam com A, a natureza dá de graça. Daí que começa minha história…

Eu e esses meus amigos tínhamos vontade de construir uma Ecovila ou comunidade autossustentável, porém nunca fomos atrás disto, pois sempre algo na cidade nos segurava. Ou Estudos, ou empregos, ou namoradas… Sempre empurrávamos esta ideia para o futuro. Seis anos depois do início dessa ideia, já estávamos estudando outras coisas, com outros empregos, com outras namoradas e ainda não tivemos o passo inicial de correr atrás disso. Eu estava trabalhando numa clínica de Medicina Chinesa com minha ex-namorada, morávamos juntos e a vida estava na mesma, me limitando de ir atrás de um futuro melhor para meus futuros filhos, para a sociedade e para mim. Comecei a sentir dores na cervical irradiando para o trapézio, que é sinal de estresse… Veio na minha mente a ideia de Ecovilas novamente e comecei a pesquisar onde tinha e se aceitavam voluntários para eu conhecer e ver o que sentia. Isso foi ano passado e conheci o Instituto Pindorama, em Nova Friburgo, RJ. Me voluntariei para ficar lá 15 dias, conhecendo e aprendendo algumas técnicas de autossuficiencia. Fui aceito para poder chegar lá e fui conversar com minha ex-namorada (que era a atual namorada na época). Ela não gostou muito de eu ir para o Rio ficar 15 dias e disse com estas palavras: Eu acho que não é o momento de você ir, se você for, você vai solteiro… Como eu nunca gostei de chantagem e ela além disso era psicóloga, concordei e fui solteiro.

Chegando no Instituto Pindorama, me identifiquei muito com o local e já sentia que minhas dores na cervical e trapésio estavam diminuindo. Passou dois dias, eu não tinha mais dor nenhuma! Zero! O que concluí é que meu corpo e mente confabularam para eu sair de São Paulo no momento certo. Conheci pessoas fantásticas no Instituto, participei de cursos, do evento EBA (Encontro de Bioarquitetura) que estava acontecendo justamente naquelas semanas em Nova Friburgo e as coisas foram se desenrolando… Conheci a Ecovila Tibá do Jovan Van Legen (que escreveu o Manual do Arquiteto Descalço) e os fundadores da Ecovila El Nagual Mariana e Eraldo.
Ou seja, não consegui ficar apenas 15 dias no Instituto Pindorama, fiquei dois meses! Adorei a energia do casal Eraldo e Mariana e fui conhecer A Ecovila El Nagual que eles haviam fundado a menos de 3 anos. Fui para ficar 21 dias e aprender algumas técnicas de Permacultura. Nossa identificação foi tanta que fizemos alguns eventos juntos no local. Claro, também nao consegui ficar só 21 dias, fiquei 6 meses! Tive a oportunidade de conhecer e fazer Cursos do Gaia Education como o Dragon Dreaming e o Captaçao Empoderada de Recursos, Saneamento Ecológico com os LowConstrutores Descalzos entre outros. Tudo fluia perfeitamente bem, como aquelas dores que sentia na cervical e trapézio fossem um chamado para eu me desligar de São Paulo…

Depois de 6 meses, fui representar a ecovila no Evento do SOS Mata Atlantica chamado Viva a Mata no Ibirapuera em São Paulo. Senti um chamado de conhecer outros lugares depois de lá e respeitei esse impulso interno. Depois do evento, fui para a Vila Yamaguishi em Jaguariúna SP, conhecer as técnicas de produção massiva de alimentos organicos, sua produção de ovos da felicidade e principalmente SUA ECONOMIA. A vila Yamaguishi trabalha com Caixa Único. Ninguém recebe salário, vai tudo pro mesmo caixa. Quando precisam comprar algo, decidem em conselho para ver se é viável ou não. O Modelo Yamaguishi é mundialmente conhecido. A Maior comunidade do planeta. Só no Japão tem 40 vilas Yamaguishis. Em uma delas moram MIL PESSOAS. Tem até um tipo de Shopping dentro, que claro, ninguém paga nada pra pegar o que quiser… Apenas pega. Foi uma experiência fantástica conhecer este modelo…

Saindo da Vila Yamaguishi, fui para outro sítio de orgânicos em Casa Branca chamado Sitio A Boa Terra, que fazem trabalhos ecológicos com as escolas, grupos de faculdades e pessoas interessadas em uma vida mais natural. Uma energia muito linda conhecer o Joop e Tini, casal fundador do Sitio A Boa Terra, super empenhados em uma vida saudável. Produzem um Suco Verde delicioso!

Bom, e a vida agora vai me levando… Estou neste momento na ONG Estação Luz em Ribeirão Preto, fazendo trocas de saberes. Ajudando no que posso e me programando para ir em setembro para Alto Paraíso em Goiás (regiao da Chapada dos Veadeiros) conhecer algumas Ecovilas e Aldeias alternativas. A vida foi se desenrolando cada vez mais rápido nesse caminho de conhecer a Autossustentabilidade, como não depender das cidades.

Tem MUUUUITA gente, igual a Kamala, igual a mim, que busca se empenhar na construção de um mundo no qual queiramos pertencer. Um mundo mais leve, harmonioso, respeitando a natureza, sem vícios que a cidade nos impõe de consumo e mais consumo, sem estresse, sem poluição, sem trânsito… Em breve, o planeta se transformará no que sonhamos, planejamos, realizamos e celebramos.
AHOOOW!