Laboriosa 89

Chegamos em São Paulo. Fazia um tempão que eu não via o Kaiuá tão animado!
— Eu adorei esse lugar!
Foi a declaração dele alguns minutos depois de conhecer a Laboriosa 89.
— Aqui tem um monte de coisas que a gente só tinha ouvido falar!
Bem, ele está certo! Não é toda hora que se encontra um caixa eletrônico de bitcoins! A expressão dele ao ver a máquina foi impagável! Pena que só ficou registrada na minha memória… Em seguida veio o Torus e o Vector Equilíbrium que, somados ao wi-fi, depois de 10 dias sem internet, fizeram do espaço colaborativo o paraíso para o pequeno!

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— Eu sinto como se estivesse chegando na casa de um amigo.
Não é pra menos. Temos alguns amigos circulando por aqui e, certamente, muitos futuros amigos. A energia da casa é muito boa. É até um pouco estranho no início, tanta liberdade. Fiquei um pouco cheia de dedos, com receio de não respeitar algum possível acordo que eu desconhecia. Aos poucos, ne medida em que fui entendendo que as “regras” (sempre prefiro chamar de acordo, gosto do duplo sentido do verbo acordar) são muito simples, fui relaxando.
Já imaginou? Um espaço incrível, enorme, lindo, sem hierarquia, sem curadoria, com Wi-fi, onde você pode fazer encontros, eventos, workshops, ou apenas sentar pra trabalhar e se conectar com uma rede riquíssima de profissionais das mais diversas áreas. O acordo que resume o funcionamento da casa é: faça o que quiser, desde que não atrapalhe o que os outros querem fazer. Simples, não? Quanto custa? Você escolhe! As planilhas de custos e arrecadações são abertas, todos contribuem dentro do seu ponto de equilíbrio e a casa se paga. Parece impossível? Mas não é! Existe e fica no coração da Vila Madalena, em São Paulo. Como fazer pra participar? Visite a casa, faça sua cópia da chave e pronto! É só chegar com uma proposta interessante e se conectar à rede.
Se você curtiu a ideia, mas não mora em São Paulo, conheça também a Catete 92, no Rio de Janeiro, e a Casa Liberdade, em Porto Alegre. Se essas alternativas ainda não te atendem, que tal começar um espaço assim na sua cidade?

DNA Vegan

Conhecer pessoas que estão promovendo iniciativas que saem da caixinha e conectá-las com as que estão buscando inspiração para fazer o mesmo é o objetivo principal do nosso projeto. Nessa primeira parada, no Festival 4 elementos, conhecemos muitas pessoas interessantes, mas a maior inspiração foram os irmão Juliano e Daniele, do trailer de lanches DNA Vegan.
Ele trabalhou durante 10 anos em uma grande multinacional da área de Arquivamento de Documentos (coisa que eu nem sabia que existia…), começou como digitador e cresceu na empresa chegando ao cargo de Analista de Sistemas. Começou seu caminho de saída da matrix tornando-se vegetariano. Pouco tempo depois passou a ir de bicicleta para o trabalho. Mas isso era pouco para ele, que queria uma vida com mais autonomia e propósito. Ao tornar-se vegetariano Juliano começou a cozinhar, por necessidade e falta de opção. Aos poucos foi tomando gosto e passou a cozinhar para os amigos que sempre elogiavam seus pratos. Começou a levar os lanches vegetarianos para o trabalho e o sucesso foi imediato. Foi aí que Juliano percebeu o potencial dos seus lanches.
O ponto de virada aconteceu em 2011. Juliano saiu do seu trabalho e começou a oferecer sua comida em eventos e festivais. Sucesso total desde o início. No mesmo ano Daniele também dava uma grande virada em sua vida pessoal e começou a trabalhar com Juliano.
Em 2014 os irmãos receberam uma herança e investiram no trailer que acabou de ser inaugurado no Festival 4 elementos. Sucesso absoluto! A maravilhosa coxinha de Jaca da Daniele acabou no segundo dia de evento. Eu ví pessoalmente um pedido de 15 coxinhas! Até o Kaiuá, que não é muito chegado a novidades, aprovou o Vegburguer!
Se você encontrar com eles por aí não deixe de experimentar! Garanto que não irá se arrepender… E se quiser contratar o trailer do DNA Vegan para o seu evento, entre em contato com or irmãos através da página do Facebook. Eu recomendo!

Forjando a armadura – Rudolf Steiner (tradução Ute Crâmer)

Foto: Bruno Gradim

Nego-me a submeter-me ao medo

que me tira a alegria de minha liberdade,

que não me deixa arriscar nada, que me toma pequeno e mesquinho,

que me amarra,

que não me deixa ser direto e franco,

que me persegue,

que ocupa negativamente minha imaginação,

que sempre pinta visões sombrias.

No entanto não quero levantar barricadas por medo do medo.

Eu quero viver e não quero encerrar-me.

Não quero ser amigável por ter medo de ser sincero.

Quero pisar firme porque estou seguro e não

para encobrir meu medo.

 

E, quando me calo, quero

fazê-lo por amor

e não por temer as

consequências de minhas

 

Não quero acreditar em algo

só pelo medo de

não acreditar.

Não quero filosofar por medo

que algo possa

atingir-me de perto.

Não quero dobrar-me só

porque tenho medo

de não ser amável.

Não quero impor algo aos

outros pelo medo

de que possam impor algo a mim;

por medo de errar, não quero

tornar-me inativo.

Não quero fugir de volta para

o velho, o inaceitável,

por medo de não me sentir

seguro de novo.

Não quero fazer-me de

Importante porque tenho medo

de que senão poderia ser ignorado.

Por convicção e amor, quero

fazer o que faço e

deixar de fazer o que deixo de fazer.

 

Do medo quero arrancar o

Domínio e dá-lo ao amor.

E quero crer no reino

que existe em mim.

Percepções dos primeiros movimentos

Sempre gostei de viajar sem pressa, me hospedando na casa das pessoas locais ao invés de hotéis, pousadas ou campings, conhecendo o dia a dia do lugar pelo olhar dos seus moradores, visitando os lugares que os turistas não vão. Quando comecei a planejar o roteiro do Destino Sustentável, percebi que para cobrir o Brasil em um ano eu não poderia passar mais do que trê ou quatro dias em cada lugar. Como sou muito metódica, pensei que seria assim, mas mal comecei e já sinto que tenho que respeitar minha natureza, abrir mão de prazos tão apertdos e conhecer o que for possível com mais profundidade… Quero ficar um pouco mais em cada lugar e bastante mais em alguns lugares. Quero me reconectar ao meu tempo interno e ao movimento natural da vida, deixando que ela me surpreenda pelos caminhos! E se não cabe o Brasil inteiro em um ano, que a viagem dure mais de um ano ou que caiba o Brasil possível!

Também no início dos planos essa viagem seria feita de motorhome (idealmente) ou de carro (mais realisticamente…), mas tivemos que abrir mão desse recurso, ou seja, vender o carro, para viabilizar os movimentos, por mais contraditório que pareça… Estamos viajando de carona, ônibus, táxi, avião e todos os meios de transporte possíveis e viáveis. Um dia desse o Kaiuá falou que a gente devia arrumar uma mula… Mas sinto que, com toda a bagagem, já reduzida ao máximo e absolutamente necessária para dar conta da proposta, não teremos um fôlego muito longo para esse formato. Ao invés de caroneiros, seremos do time dos que dão carona! Em breve, quando for possível.

Era uma casa muito engraçada!

A casa ambulante está composta por dois quartos, digo duas mochilas cargueiras, Quechua Forclaz 60 e Trilhas e Rumos Crampon Tech, 48, minha e do Kaiuá, respectivamente, onde vão nossas roupas, sapatos, necessaires, isolantes térmicos, sacos de dormir e tapetinho de Yoga, além de um Spa ultra portátil na  minha; uma sala de estudos do Kaiuá, Quechua Forclaz 22 air; o meu escritório, marca desconhecida +ou- 30 litros (precisando de substituição, mas ainda quebrando um galho); e a pequena Deuter Speedlite 10, que carrega a água, os lanchinho e miudezas da estrada. Bem, isso sem falar na barraca, que é um trambolho a parte.

Um trambolho sensacional, diga-se de passagem! Tá certo que carrega-la não é muito simples, mas a barraca 2 seconds air da Quechua foi super aprovada nos quesitos facilidade de montagem (instantânea!), desmontagem (menos de 1 minuto), resistência a chuva (choveu dois dias e não entrou nem uma gota dágua!) e ventilação (com duas janelas laterais e uma traseira). O único defeito dessa barraca é a pouca altura, que pode ser bem desconfortável para pessoas de maior estatura, mas pra nós está ótima!

Ainda sinto falta de um kit cozinha, pra quebrar um galho quando nos metemos numas encrencas onde não tem o que comer direito, ou que não tem nada do que o meu enjoadinho gosta, e pra economizar também, mas como não tenho espaço para o kit, nem quero carregar mias um volume, vamos nos virando com frutas frescas e secas, castanhas, pão integral e biscoitos e fazemos as principais refeições pelo caminho.

Festival 4 Elementos, Ar, Primavera

É primavera!

Começa uma nova jornada…

Ainda é a mesma e continuará sendo sempre, mas caminhamos no espiral em um novo ciclo. Após um ano muito rico de cursos, encontros e pequenas viagens, entre eles os quatro módulos do Educação Gaia, Design em Sustentabilidade, sempre retornando pra casa, após um processo longo de elaboração e realização de um financiamento coletivo, finalmente colocamos os pés na estrada sem data pra voltar!

Começamos pelo Festival Quatro Elementos  onde anfitriamos uma Troca de Idéias sobre a “Transição para a Sustentabilidade” a convite do Daniel Calfa da Eco Decor. Fizemos cinco baldiações para chegar do Rio a Piratininga, mas só tivemos que caminhar um longo trecho com a casa nas costas ao chegar lá. Teria sido inviável fazer o trecho sozinha com o Kaiuá, mas claro que o universo providenciou um anjo pra nos dar uma forcinha nessa empreitada. Valeu Cris!

Essa é a primeira edição do Festival, que pretende realizar quatro edições anuais, integrada aos ciclos da natureza, celebrando os elementos e as estações. A proposta do evento é “reunir em uma grande festa, pessoas e grupos que trabalham com os ideais de Cultura de Paz, educação para autonomia, medicina holística, produção local, comércio justo, permacultura, 3 Rs, bioconstrução, empreendedorismo social, cultura local e regional, valorização das tradições, resgate e preservação da cultura, arte livre e artesanato e sustentabilidade planetária”.

Nessa primeira edição a organização do festival teve que lidar com alguns imprevistos de logística, o que prejudicou a qualidade de aspectos importantes da produção, mas sabemos que não é fácil organizar um evento desse porte e apesar das dificuldades o festival aconteceu. As falhas fazem parte de qualquer início, e servem de aprendizado para que as próximas experiências sejam cada vez melhores! Desejamos boa sorte e vida longa ao Quatro Elementos!

As Trocas de Idéias foram muito produtivas. Ficamos bastante satisfeitos com a nossa, fizemos vários contatos e conhecemos outras iniciativas como a Casa dos Hólons, uma estação permacultural em São Paulo, capital, e o Timbó, Grupo Agroecológico de Botucatu. Algumas oficinas não aconteceram, por motivos variados, o que deixou muitas pessoas decepcionadas, mas as que aconteceram foram muito elogiadas. A música foi bastante variada, sempre com qualidade, um dos pontos altos do festival. A comida oferecida no pacote para os três dias não agradou os participantes mais exigentes, mas os estandes convidados deram um show! Destaque absoluto para o trailer do DNA Vegan, seus salgados e lanches fizeram um sucesso estrondoso e esgotaram-se um a um rapidamente! Comemos lá todos os dias, experimentei quase tudo e acabamos ficando amigos, o que nos rendeu uma carona até Botucatu e mais uma história pra contar!

Próxima parada: Demétria!