Impressão 3D, você não pode ficar fora desta!

No processo de livre aprendizagem que estou vivendo com meu filho a premissa básica é aprender com o dia a dia (no nosso caso o Ontheroadschooling, conhecendo as iniciativas que promovem a sustentabilidade) e deixar que o Kaiuá se aprofunde nos assuntos em que tem interesses, resumindo: tudo que se relaciona com tecnologia. Foi assim que eu fui parar na maior feira de games da América Latina, descobri todo um mundo paralelo, entendi melhor o fascínio exercido pelos games (o jogo do mundo real é sujo, fica fácil se encantar pelo virtual), mas isso é todo um capítulo à parte, que prefiro encerrar por aqui. DSC01428 Foi também o interesse dele, através de uma indicação do nosso amigo, mentor de tecnologia e noticiador do futuro Luiz Gustavo (o Luis Silva que vocês podem ver nessa matéria do G1 sobre os Fab Labs) que nos levou ao Garagem Fab Lab. Na primeira visita conhecemos o espaço, fomos apresentados às máquinas, algumas das quais nós ainda não havíamos visto pessoalmente, e assistimos ao filme Print the Legend, que conta a história das impressoras 3D, disponível no Net Flix. Na segunda visita encontramos o Luís e os seus sócios na Arcturus – BioCloud testando uma máquina nova, totalmente produzida pelo Pedro Terra. Sobre essa máquina e o que ela pode fazer eu só digo uma coisa: já estão imprimindo o futuro! DSC01426 Mas voltemos as 3D. Pense bem: por que você precisa comprar um objeto produzido industrialmente, em grande escala, causando imensos impactos ambientais, e que muitas vezes acaba sendo desnecessário ou precisando de substituição frequente, em virtude da obsolescência programada, se você pode produzi-lo com apenas algumas máquinas que podem produzir qualquer coisa,  inclusive elas mesmas? DSC01462 Não compre, faça você mesmo! Esse é o lema do Movimento Makers, que já é considerado a nova Revolução Industrial, pois une o mundo virtual com o físico, gerando autonomia de produção. Custo baixo, objetos personalizados de acordo com as características e necessidades de cada um e licença aberta, para que outras pessoas possam utilizar e melhorar o projeto, são as principais características do movimento. DSC01430 A primeira vez que ouvi falar sobre os Makers foi há cerca de seis meses atrás, no módulo econômico do Educação Gaia. Era o conteúdo de uma das aulas, facilitada pelo Filipe Freitas, e foi complementado por uma palestra do Luis (o mesmo que nos indicou a Fab Lab). Além dos Makers o Luís falou sobre bitcoins, nanotecnologia e inteligência artificial, sob uma ótica que eu nunca havia imaginado, com informações que eu provavelmente levaria mais uma década pra acessar. Saímos, todos os alunos do Gaia, desta palestra bastante impactados pelas novidades. Todos menos o Kaiuá. Enquanto algumas pessoas achavam o panorama assustador e diziam que teriam pesadelos, ele disse: — Esse medo que as pessoas tem da tecnologia é medo de perder o controle. Pouco depois, quando voltávamos para o nosso quarto, eu disse pra ele que demoraria um tempo pra dormir pensando naquilo tudo, ao que ele prontamente respondeu: — Pois eu vou dormir tranquilamente, pra mim tudo isso faz muito sentido. Durma com um barulho desses!   Links úteis: Garagem Fab Lab Fab Lab SP Makers Arcturus

Aro 27

Conheci mais um lugar muito bacana em São Paulo. O Aro 27 é uma combinação de café e restaurante, loja e oficina de bicicleta, com direito a estacionamentos com seguro para as bikes e banho com toalha para os ciclistas, o que inspirou a marca Park and Shower, registrada por Fábio Samori, proprietário e idealizador do negócio.

O negócio foi criado por necessidade, Fábio é ciclista há mais de 30 anos e após morar alguns anos fora do país e utilizar a bicicleta como único meio de transporte, passou a sentir falta de um lugar onde pudesse tomar banho e estacionar sua bike. Segundo Fábio essa era uma reclamação constante de seus amigos e colegas ciclistas, muitos deixavam de ir trabalho pedalando por esse motivo. Biólogo por formação e empreendedor por vocação, ele diz que nunca se sentiu tão realizado e apaixonado por um projeto.

O espaço, inaugurado em julho de 2013, conta também com uma biblioteca, além de uma pequena caixa para trocas de livros e uma parte do cardápio com a proposta “pague o quanto acha que vale”, ou contribuição consciente.

O cardápio do café/restaurante oferece opções veganas e sem glúten, eu experimentei e recomendo o fettuccine de pupunha. Mas o destaque fica por conta do Bike Café, um café gourmet que reverte parte de sua renda para projetos sociais relacionados a bicicletas.

Se você gosta de pedalar e mora ou está de passagem por São Paulo, não deixe de visitar o Aro 27! A apenas 50m da estação de metrô Pinheiros, cerca de 400m da ciclovia da Faria Lima/Pedroso de Moraes e próximo da Ciclovia Rio Pinheiros. O horário de funcionamento da casa é das 8h às 20h, de segunda a sexta. Aos domingos, o Bike Café funcionará das 10h às 16h.

Visite também o site do Bike café e sua página no facebook:

http://www.aro27.com.br

https://www.facebook.com/aro27bikecafe?fref=ts

 

CSA – Comunidade que Sustenta a Agricultura

O CSA (Comunidade que Sustenta a Agricultura) é uma forma de organização de consumo baseada no conceito de escultura social e na idéia de economia associativa do Rudolf Steiner. No CSA um grupo de pessoas paga uma mensalidade fixa para os agricultores, que recebem um salário fixo mensal pra cuidar de sua lavoura e fornecem uma cota de produtos orgânicos semanalmente para os associados. Dessa forma são eliminados os atravessadores, os produtores recebem uma renda segura e digna e os consumidores recebem produtos orgânicos de qualidade, da época, por valores acessíveis. Uma legítima relação ganha-ganha.

DSC01147

O maior núcleo de CSA do país encontra-se em Botucatu – SP e é organizado pelo Hermann Pohlmann, artista plástico e professor Waldorf. O grupo conta com a participação de 350 famílias, que pagam atualmente R$72 mensais por uma cota, o que dá direito a 7 itens por semana ou R$130 por duas cotas, com direito a 14 ítens semanalmente, e uma família de 12 agricultores que recebem cerca de R$1200 cada um. Há também cotas de pães e queijo, a parte. Um núcleo é formado por um grupo de consumidores e produtores, juntos os núcleos formam uma rede.

DSC01145

Diferente das redes de entrega de cestas de orgânicos, os consumidores retiram seus produtos em depósitos, que são vários pra cada núcleo. Os depósitos são coordenados pelos produtores e pelos consumidores, que não recebem um valor monetário por isso. Cada pessoa verifica em um quadro quais são os produtos da semana, escolhe, pesa e leva sua cota. O processo é baseado na confiança e na auto-organização.

DSC01138

Uma das visões de Herman para potencializar o equilíbrio social da comunidade de consumo nos próximos anos é que os cotistas possam pagar valores diferenciados de acordo com suas possibilidades financeiras. Embora esse conceito pareça muito inovador (e quase utópico), já é colocado em prática em outros movimentos onde é conhecido como Contribuição Consciente.

Se você se interessou e gostaria de começar um CSA na sua cidade, entre em contato com CSA Brasil e verifique a agenda de cursos.

 

Como são feitas as chaves?

Uma das maiores curiosidades que as pessoas tem em relação ao nosso projeto é como acontece o processo de desescolarização. Sinto muito, mas não tenho uma resposta pronta para essa pergunta. Eu acredito que cada ser é único em suas necessidades, talentos e interesses, eu acredito em livre aprendizagem, em responder as questões que se apresentam naturalmente pela interação da criança com a família, os amigos e o mundo.

Um exemplo? Um dia desses eu precisava fazer uma cópia das chaves da casa onde estava hospedada, o Kaiuá ficou curioso e me perguntou como são feitas as chaves. Aproveitamos a oportunidade e pedimos pro chaveiro mostrar pra ele como se faz. Demos sorte, o S. Francisco foi super simpático e adorou mostrar como as chaves eram feitas antigamente e como são feitas agora.

 

Algumas pessoas podem perguntar qual é a importância de saber fazer uma chave? Nunca sabemos qual é a importância de um determinado aprendizado e quais as associações que a criança irá fazer, mas certamente será mais útil do que o conteúdo desinteressante que aprendem na escola.

 

 

 

 

 

Escola Waldorf Aitiara

Aitiara, do tupi ninho de luz, fica no bairro Demétria, em Botucatu, SP. É uma das escolas Waldorf mais antigas do país, está comemorando 30 anos de existência. É também uma das maiores e uma das únicas que oferece a escolarização completa, do jardim de infância ao ensino médio.

A pedagogia Waldorf fundamenta-se na visão antroposófica do homem como uma unidade harmônica físico-anímico-espiritual. A antroposofia foi fundada pelo austríaco Rudolf Steiner, que a considerava “um caminho de conhecimento para guiar o espiritual do ser humano ao espiritual do universo”, uma ciência espiritual, uma filosofia e uma prática.

Na pedagogia Waldorf a experimentação e a interdiciplinariedade são valores fundamentais. A metodologia propõe ensinar aos alunos a construir sua própria aprendizagem através de atividades práticas com a manutenção de uma horta orgânica e biodinâmica, aulas de marcenaria, música, artes plásticas e eurritmia. Segundo Steiner, as habilidades adquiridas nessas atividades facilitam a aquisição dos conhecimentos intelectuais.

No Jardim de infância as turmas são multiseriadas, com o intuito de estimular que os mais novos aprendam a admirar os mais velhos e os mais velhos aprendam a cuidar, apoiar e ensinar os mais novos. É uma pena que esse conceito não seja levado para as etapas seguintes.

A partir do 1° ano os alunos são acompanhados pela mesma professora, a professora da turma, até o nono. Dessa forma a professora conhece profundamente as características e peculiaridades da turma. A professora da turma tem papel fundamental no processo de entrada de novos alunos, definindo se o candidato tem chances de se integrar bem na turma.

O conteúdo atende as diretrizes do MEC, porém é transmitido em épocas, onde os alunos fazem uma imersão em cada disciplina durante um período de 4 semanas, enquanto isso outras disciplinas são trabalhadas de forma menos profunda.

Até o 8° ano não há provas. As avaliações são realizadas através da participação, dedicação, assiduidade, pontualidade, interesse e verificação do caderno dos alunos, onde está todo o conteúdo trabalhado na época, uma vez que não existem livros ou apostilas na Pedagogia Waldorf.

A partir do 5° ano as turmas fazem uma viagem que serve como tema para um trabalho de final de ano. No 9° ano o trabalho de fim de ano é a realização de uma peça de teatro onde os alunos confeccionam figurino, cenário, música e participam como atores. No ensino médio os alunos enfrentam o desafio de fazer uma pesquisa biográfica sobre um personagem histórico analisando-a através do olhar antroposófico dos setênios no desenvolvimento humano.

Acho muito interessante a proposta da escola Waldorf e da antroposofia como um todo. O Steiner foi mesmo um sujeito incrível de pensar tudo isso na sua época. No entanto, tenho a impressão que algumas pessoas, quando se referem ao método, o fazem de forma dogmática, levando cada detalhe ao pé da letra, o que as vezes leva a um prejuízo do entendimento mais profundo a proposta. É preciso se levar em conta a localização no espaço, no tempo e na cultura quando se trata de trocas humanos, o que é o caso da educação. Pra nossa filosofia a liberdade tem que ser um pouco mais livre!