Minha primeira ida a Piracanga

A convite da Kamala decidi escrever sobre o que experimentei na minha viagem de três dias à Piracanga. Antes de começar a história, vou contar um pouco de mim. Meu nome é Felipe e sou apaixonado por tudo que envolve construção conjunta. Tenho 27 anos vividos todos em grandes cidades, Salvador e São Paulo, mas o coração ligado a paz que encontro na beira do mar.

Tudo começou no inicio de 2013 quando eu descobri o que é uma ecovila. Na minha cabeça as pessoas que viviam como se vive em uma ecovila eram hippies.  Eu jamais conseguiria viver como se vive em uma ecovila, antes de, pelo menos, acumular dinheiro por uns 20 anos. Meu plano: acumular dinheiro por 20 anos e me aposentar indo morar em um lugar que eu entendia como ecovila. Não precisa nem citar que o meu plano não passou do primeiro ano, não é? O universo não curte muito respeitar os nossos cronogramas.

Já que a alternativa de adiar não rolou, eu resolvi começar a viver a vida que eu sonhava imediatamente. Conheci algumas ecovilas e comunidades através da internet, só que a minha vida em São Paulo começou a se tornar extremamente interessante convivendo na Laboriosa 89. Nesse espaço de convivência super rico o nome Piracanga surgia recorrentemente em conversas que eu participava. O desejo foi ficando forte e eu decidi que iria visitar Piracanga.

Rumei para Piracanga no dia 15/10 saindo de Salvador. Cheguei a noite na recepção da hospedaria. Eu não havia avisado de que iria estar lá na data e nem quando iria embora. Minha convivência na Laboriosa tem me feito ser cada vez menos planejador, e eu realmente não quis avisar. Apenas acreditei que seria recebido e assim foi.

No primeiro dia acordei com um sol lindo. Fiz uma yoga, como não fazia a tempos, e me senti muito bem. Choveu durante a prática e foi uma experiência única para mim. O lugar tem uma energia muito boa. A paz reina e o tempo não se encaixa. Apesar de não ser longe da civilização, 1 hora e meia andando de Itacaré, me senti muito mais distante. Piracanga tem uma estrutura bem grande. Tem a vila com 55 casas, a hospedaria, a escola da natureza, a escola de serviço, as ocas de celebrações e cursos, a universidade, a escola livre e mais coisas que em 3 dias não foram possiveis de conhecer. Puder conhecer tudo isso graças um uma mega tarde com a Juli, guardiã da escola da Natureza, que promoveu uma aula-caminhada pela ecovila.

No segundo dia resolvi andar até Itacaré, com as meninas do curso de Yoga e o meu companheiro de quarto Regis, de Ilha Bela. O contato com a “civilização” já não foi tão prazeroso quanto era antes da minha chegada em Piracanga. Parece pouco tempo para esse sentimento aflorar, mas tempo é irrelevante para se entrar em contato com a essência.  E, cara, posso estar onde estiver, meu coração vai estar sempre ligado ao mar. A noite sentei em uma roda, com uma banda dos alunos da escola de serviço, cantando bandjhans e músicas brasileiras.

No último dia acordei cedo e fiz uma yoga. Durante a yoga pude ouvir muitas vozes, de pessoas em catarse, que mais tarde pude constatar que se tratava do última dia do curso de leitura de aura. Aqui cabe um adendo para dizer que o pouco contato que eu tive com as pessoas que passaram pelo processo do curso de leitura de aura me animou a fazê-lo em uma próxima visita. O que eu pude ver foi um processo muito bonito, com muito amor.

Tudo são rosas? Sim, mas rosas tem espinhos. É um lugar lindo, com pessoas inspiradoras, processos transformadores, mas tem os seus conflitos e processos internos. Pude perceber que o dinheiro ainda é o que baliza todas as trocas por lá. Talvez porque a tribo que gere os recursos da vila dependa muito de dinheiro para custeio de alimentos, produtos e serviços. Ficou claro para mim que existem conflitos em como lidar com os hospedes. Em vários momentos me deparei infrigindo alguma regra, da qual eu não havia sido informado.  Esse é um problema, que ao meu ver, é mal resolvido por lá. Existe uma separação entre hóspede, morador da vila e comunidade ao redor. A organização é definida e hierarquizada.

Meu sonho de morar em uma ecovila continua. O que eu tiro de maior ensinamento dessa experiência é que estar em um lugar como esse é muito bom, e depende unicamente da sua força de vontade. O grande desafio não reside no lugar em si, e sim em como as pessoas que residem em determinado lugar escolhem se organizar. Em Piracanga ou em São Paulo os desafios são os mesmos; acertar os pontos para a convivência humana em uma verdadeira comunidade.

Felipe Silva

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9 thoughts on “Minha primeira ida a Piracanga

    • Que legal Luis! Depois queremos saber como foi. Se quiser compartilhar a experiência podemos publicar aqui, é só mandar pra gente!

    • Oi Luís, gostaria de escrever um relato sobre sua experiência? Se quiser podemos compartilhar. Grande abraço!

      • Poxa, o que será que aconteceu com o Luis…
        Pessoal, vocês tem o contato do Felipe Silva que escreveu o post? Seria muito importante bater um papo com ele. Gratidão!

    • Ola Renato,qual foi o problema por lá?pergunto porque tenho vontade de conhecer tbm!

      grata

  1. Quero sumir deste sistema que consome a alma humana!!! Socorro , par o mundo que quero descer!!!!!

  2. tb percebi isso do dinheiro por la,m acabei de chegar de la e adorei demais paesar desse lance da grana..

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