Captação empoderada

A captação empoderada é uma forma de captação de recursos utilizada dentro da metodologia Dragon Dreaming de desenvolvimento de projetos colaborativos. Os projetos desenvolvidos pelo método devem apresentar três características:

1. Auto-conhecimento e crescimento pessoal;

2. Desenvolvimento da comunidade;

3. Contribuição com o planeta.

A minha experiência pessoal com essa forma de captação é bem interessante. Há quase um ano atrás eu fiz o curso e saí convencida de que aquilo não era pra mim. Tratar de dinheiro assim, pessoal e diretamente, não era algo que eu estava pronta pra fazer. Após alguns meses eu consegui fazer um financiamento coletivo, com sucesso, mas ainda não sentia que eu era capaz de fazer a captação empoderada.

No início de novembro desse ano eu fui para o Confestival Dragon Dreaming e conheci o John Croft, idealizador do método. Eu queria fazer o curso de ecologia profunda que iria acontecer na sequência, me desafiou a captar mais algum dinheiro para completar o pagamento do curso. E sem me dar tempo pra pensar disse que devia começar por ele. O que aconteceu na sequência foi que eu acabei captando exatamente o valor necessário para pagar o curso integralmente.

Foi uma experiência incrível e reverberou tanto que ao sair da imersão eu captei a verba necessária para fazer o Treinamento do Transition Towns. Pra completar o ciclo esses dois cursos, realizados com o dinheiro da captação empoderada, me deram a clareza que eu precisava, trouxeram as peças que estavam faltando para os próximos passos do Destino Sustentável. E várias ideias para tornar o projeto sustentável economicamente.

Fiquei tão feliz com o resultado que decidi compartilhar umas dicas pra vocês irem treinando enquanto não podem fazer o curso. Para utilizar a captação empoderada é importante que o projeto atenda as características dos projetos Dragon Dreaming, pois só assim o captador conseguirá demonstrar convincentemente a necessidade da realização do projeto.

Cada membro que está ativamente envolvido deverá realizar os seguintes passos:

1. Faça uma lista de 10 pessoas que você acredita que irão se identificar com o projeto e que tem recursos para apoiá-lo;

2. Marque um encontro presencial com cada uma dessas pessoas;

3. Ao encontrá-la apresente o projeto de forma sucinta, deixando claro porque você participa dele e demonstrando seus benefícios nos três âmbitos: pessoal, comunitário, global.

4. Convide a pessoa a participar do projeto contribuindo financeiramente com o valor  X. Aqui o ideal é que você proponha o valor que você acredita que seja o ponto de equilíbrio da pessoa. O ponto de equilíbrio é uma quantia que você sabe que a pessoa pode contribuir, que não será um sacrifício, mas representa um valor significativo.

5. Esse passo depende do resultado do anterior:

Se a pessoa aceita participar: você agradece e pergunta se ela conhece mais alguém que poderia contribuir.

Se a pessoa não aceita participar: você agradece assim mesmo, pergunta se a pessoa gostaria de compartilhar o porquê de não querer participar, você pode aprender muito e identificar falhas no projeto ou na apresentação do mesmo. Dependendo desse retorno você pode perguntar se a pessoa conhece alguém que gostaria de contribuir.

Quer saber mais sobre a captação empoderada e o Dragon Dreaming? Visite o portal Dragon Dreaming Brasil e fique por dentro dos cursos, palestras e encontros. E se quiser organizar um curso em sua cidade, entre em contato conosco que nós te ajudamos a organizar!

 

 

 

7 Plataformas de Crowdfunding: uma delas é ideal pra você!

Você já sabe sabe o que é crowdfunding? Ainda não? Então dá uma olhadinha nesse artigo que publiquei há alguns meses atrás, no lançamento da campanha do Destino sustentável. Nosso objetivo com o financiamento coletivo era comprar equipamentos para registrar e compartilhas as experiências e viagens que já estávamos fazendo. Nossa meta mínima, cinco mil reais. Conseguimos! E vocês podem ler um relato dessa experiência aqui.

Durante a preparação da campanha fiz uma pesquisa sobre as plataformas existentes, suas características e especificidades. Acabei escolhendo a Benfeitoria, por causa do seu lema: crowdfunding sem comissão para projetos de impacto. Hoje um amigo me escreveu perguntando quais eram as diferenças entre elas e decidi compartilhar o que sei com vocês, pra adiantar a vida de quem está pensando em fazer um financiamento coletivo em 2015 e ainda não conseguiu escolher a plataforma.

1. Catarse: É a maior comunidade de financiamento coletivo do Brasil, o que significa que, ao publicar o seu projeto aqui, você garante que ele será visto por um grande número de pessoas. Segue o modelo tudo ou nada, ou você arrecada o total da meta mínima ou não recebe nada (nesse caso o dinheiro é devolvido para os colaboradores) e cobra comissão de 13% dos projetos financiados. Sua taxa de sucesso é menor do que de algumas outras plataformas, atualmente está em 55%. Entretanto, os números de arrecadação são altos! Nos quatro anos de existência arrecadou mais de 25 milhões, sendo 12 milhões apenas em 2014, uma média de R$1 milhão por mês! O projeto com maior arrecadação até hoje foi o Mola, com mais de R$ 600 mil.

2. Benfeitoria: De acordo com seus idealizadores, é primeira plataforma do mundo a não cobrar comissão dos projetos financiados. Também funciona no modelo tudo ou nada. Aceitam iniciativas de qualquer tamanho, com a única condição de que promovam o bem comum. Oferecem consultoria gratuita para elaboração e divulgação da campanha. Outra característica interessante é que oferecem a possibilidade de crowdsourcing, ou seja, contribuições não financeiras, em serviços que possam contribuir para a realização do projeto.

3. Kickante: Essa é uma plataforma versátil, pois além do formato tudo ou nada (com uma taxa de comissão de 12%), é possível realizar campanhas flexíveis, onde você recebe o dinheiro mesmo que a meta não seja alcançada (nesse caso paga uma taxa de 17,5%). Oferece parcelamento em 6X para contribuições acima de R$100. Essa plataforma é a mais indicada pra quem está inseguro e não tem certeza do alcance da sua rede ou da aceitação do projeto e, consequentemente, do resultado da arrecadação.

4. Vakinha: No ar desde 2009, é uma plataforma simplificada, ideal para projetos pequenos. Não é preciso publicar um vídeo, nem oferecer recompensas. Você diz o que você quer, quanto precisa, define se a campanha será pública ou particular, divulga para seus amigos através de e-mail e mídias sociais e saca o valor arrecadado. Não cobra comissão, o único custo é a taxa do pagseguro, que varia entre 2,9 e 6,4% de acordo com a forma de pagamento.

5. Juntos.com.vc: uma plataforma exclusiva para negócios sociais. Funciona pelo tudo ou nada, não cobra comissão e oferece consultoria gratuita. Em dois anos e meio sua taxa de sucesso é de 80%, já arrecadou mais de 1.500.000, distribuidos entre 100 projetos.

6. Unlock: Muitas vezes é difícil arrecadar de uma só vez a quantia necessária para todo o período de realização de um projeto. Faltava uma ferramenta que permitisse a contribuição com pequenos valores mensais. O Unlock veio preencher essa lacuna. (Veja também o Recorrente, lançado paralelamente pela Benfeitoria).  É possível contribuir com boleto ou cartão com um valor fixo mensal ou fazer contribuições pontuais. Além disso não cobra comissão e não possui nenhum tipo de curadoria, qualquer tipo de projeto é permitido.

7. Kolmea: primeira plataforma brasileira com foco em projetos sustentáveis. Basta que o projeto atenda pelo menos um aspecto do tripé da sustentabilidade (ecológio, social ou econômico), em pelo menos uma de suas etapas para que seja aceito no site. Funciona pelo formato tudo ou nada.

Recomendo que vocês usem uma dessas plataformas, as mais conhecidas ajudam na divulgação do seu projeto. Mas além dessas já existem muitas pequenas plataformas de nicho no Brasil. Veja aqui o mapa do crowdfunding no Brasil.

Se você está pensando em fazer um financiamento coletivo e não sabe por onde começar, entre em contato conosco! Tenho certeza que podemos contribuir de alguma maneira para que você possa realizar seu sonho!

 

 

4 Alternativas para um Natal consciente

Dezembro chegou e junto com ele aquele impulso irresistível pra gastar o dinheirinho extra de fim de ano em dezenas de compras que, no fundo, você não precisa. Sempre me impressiona a energia ensandecida com que as pessoas correm aos shoppings, lotando lojas e corredores numa corrida desenfreada rumo ao consumo fútil.

São tantos amigos ocultos, muitas vezes entre pessoas que você mal conhece e nem sabe como presentear. Tantas “lembrancinhas”, para que as pessoas saibam que você não esqueceu delas. Tantas embalagens, que, invariavelmente, irão direto para o lixo. Tantos objetos que já não estarão funcionando no próximo Natal. Pra que isso?

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Isso sem falar nas ceias absurdas, que dão mais gastos e trabalho do que prazer e que servem mais para alimentar a culpa dos que passaram o ano fazendo dieta pra perder os quilinhos extras adquiridos nas últimas festas, do que pra matar a fome propriamente dita. É tanta fartura pra uns e tanta faltura pra outros…

Será que precisamos mesmo de tantos presentes para demonstrar o nosso afeto? Desde quando um par de meias ou um sabonete, um tablet ou smartphone, valem mais do que um abraço sincero? Definimos o quanto gostamos de uma pessoa pelo valor do objeto presenteado? Quem está sem grana, desempregado, na pindaíba, não gosta dos seus familiares? Precisa ficar mais no vermelho do que o Papai Noel pra que não duvidem do seu amor?

Construimos essa cultura desde muito cedo. Ensinamos nossas crianças, desde a mais tenra infância, que o Papai Noel só traz presentes pra quem “se comportou direitinho” durante o ano. E traz presentes melhores pra quem se comporta melhor. Crescemos, descobrimos que o bom velhinho só existe na imaginação e nos sentimos na obrigação de presentear as pessoas para demonstrar o quanto são boas, o quanto elas “se comportaram bem” conosco.

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Sim, eu gosto do Natal, sempre gostei. Gosto de reunir a família, gosto do clima de reconciliação e confraternização, gosto de uma ceia caprichada, porém sem exageros. Gosto do Natal ainda mais desde que meu filho nasceu, no dia 25 de dezembro, nunca haverá pra mim maior presente.

Sim, eu gosto de dar e receber presentes, sempre gostei. Mas não gosto de ter que fazê-lo por mera obrigação cultural ou imposição do comércio. Gosto de presentear quando eu vejo algo que me lembra uma pessoa, independente da data. Gosto de dar coisas cujo valor afetivo é maior que o material. E adoro, amo, receber presentes inesperados, em qualquer época.

Mas onde eu quero chegar com tudo isso? Eu quero te fazer um desafio! Te desafio a não comprar coisas apenas para riscar um item da sua lista. Te desafio, neste e nos próximos Natais, a ser mais criativo! Tente, invente, faça um Natal diferente!

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1. Amigo oculto? Eu e meus amigos há muitos anos fazemos o amigo oculto do desapego. Escolhemos um objeto do qual gostamos e que teve um significado importante em nossas vidas, normalmente livros, filmes ou CD’s, mas que já não fazem mais tanto sentido nesse momento, embalamos cuidadosamente em embalagens recicladas e trocamos no dia que escolhemos pra celebrar mais um ano dessa longa amizade. Gostou da ideia? Pode copiar, nós vamos adorar!

2. Aproveite a onda do desapego e faça uma limpa no seu armário, no seu depósito, na sua garagem, na sua casa. Doe o que não faz mais sentido na sua vida, mas ainda está em bom estado, funciona e pode servir pra alguém, assim você ajuda outras pessoas a evitarem o consumo desnecessário. Não sabe como? Que tal o site Doabox, de quebra você ainda pode conseguir alguma coisa que esteja precisando, sem ter que pagar por isso. Outras opções são os grupos no facebook: Feira Grátis da Gratidão ou Liberte Suas Coisas

3. Prefere uma relação mais pessoal? Bazares e feiras de trocas são ótimas opções, econômicas e amigas do meio ambiente. Se não tem uma na sua cidade, por que você não organiza? Quer saber como? Dá uma olhada nesse artigo onde sugerimos alguns formatos.

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4. Mas se você quer mesmo comprar uma coisa novinha, com a cara de quem será presenteado, conheça a campanha Compro de Quem faz. Assim você contribui com artesãos e produtores em pequena escala e para de alimentar o trabalho escravo na China.

Em último caso, se nada disso te fizer a cabeça, vá ao shopping, compre o que for necessário, mas por favor, pare, pense e compre apenas o que for realmente necessário! Porque o extraordinário é demais…

VI ENGA – Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia

Entre os dias 12 e 16 de novembro tivemos mais um momento de reconhecer a nós mesmos e ao outro nessa caminhada para uma mudança de paradigma. Mudança essa no âmbito social, econômico, ambiental e cultural. Esse foi o VI Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia (ENGA). Para sua construção foi necessário um constante e duradouro contato entre os grupos que pertencem a REGA (Rede de Grupos de Agroecologia). Membros de diferentes coletivos e localidades construíram juntos esse belo encontro na Ecovila Tibá em São Carlos. Durante esses dias estiveram presentes mais de 90 grupos que trabalham com conceitos de Agroecologia e nos ocupamos nesse breve tempo em trocar, aprender, articular e plantar. O ato de plantar não apenas literal, com a semente da planta, se deu também no âmbito dos sonhos. Essa com certeza foi uma grande oportunidade de ver pessoas que têm trabalhado para construir esse movimento, saber de grupos que têm interesses em comum e como podemos caminhar juntos daqui em diante. Buscando um encontro diverso e completo, a organização das oficinas que seriam dadas no encontro foi feita através das pétalas da Permacultura, que englobam diversos campos de atuação para a construção de uma nova sociedade.

Isso nos mostra não apenas um pensamento holístico, mas um grande passo nesse movimento por integrar diversas vertentes que buscam trabalhar de uma nova forma com a terra e com a Vida como um todo. Isso se evidencia na própria organização com base em conceitos da Permacultura, além de haverem oficinas sobre bombas de sementes, que foram desenvolvidas na Agricultura Natural pelo Fukuoka; Agricultura Biodinâmica, CSA (Comunnity Supported Agriculture) e Pedagogia Social que são expressões da Antroposofia, criada por Rudolf Steiner; e muitas outros espaços de troca que tratavam dos mais diversos temas e origens, culminando numa articulação aberta, acolhedora e não sectária.

Essas filosofias e buscas não se restringiram apenas a campos teóricos, mas buscou-se vivenciar suas expressões práticas ao longo do encontro. Exemplos disso são os sabonetes, condicionadores, shampoos e o pó dental que foram todos feitos no encontro, com produtos que não causassem impacto ambiental, para a utilização de todos. Os banheiros foram todos secos buscando-se não poluir as águas com nossos dejetos. Ao longo da preparação do evento foi construída uma cisterna para armazenar água da chuva a ser utilizada nos banhos e pias ao longo do encontro. Os culturais trouxeram forte a nossa cultura, valorizando a arte regional. As comidas foram conseguidas através de pequenos agricultores, cooperativas, grupos, sendo grande parte agroecológicas. Aconteceu um Enguinha para cuidar e educar participativamente as crianças presentes. Todas atividades para a manutenção do encontro foram organizadas através de mutirões que foram compostos pelos participantes, fazendo com que cada um fosse parte essencial, co-criador do processo. E a famosa feira de sementes esteve presente novamente com muitas trocas de experiências e sementes!

Por fim houve um espaço de plenária, onde foram deliberados novos passos para a REGA e um processo de avaliação do encontro para melhorarmos cada vez mais. Interessante notar que apesar do recorrente calor das relações que costumam predominar em encontros de movimentos alternativos, que é essencial para relações mais humanas, há pessoas construindo essa rede que têm trazido uma necessária estruturação dos processos para essa articulação e criação coletiva. Estão sendo utilizadas dinâmicas de grupo como o Dragon Dreaming, por exemplo, que auxiliam no caminhar para um saudável equilíbrio entre criatividade e organização.

Para ir-nos despedindo por aqui, a Permacultura nos diz que estamos numa sociedade com alto consumo energético (petróleo, competição, etc) e que isso é insustentável, não é possível ser permanente. Essa forma de vivermos, segundo essa perspectiva, não resistirá muito mais tempo e colapsará, obrigando-nos a criar uma forma de vida com baixo custo energético (energias renováveis, formas de organização cooperativas, etc). Para essa transição, é importante estarmos trabalhando em nossas localidades através dos nossos grupos de permacultura, agroecologia, antroposofia, pedagogas alternativas, povos tradicionais, etc. Além disso, é essencial nos articularmos em rede. Assim, faço o convite de quem se interessar, integrar a REGA para conversar-nos e construir esse movimento conjuntamente. Como teia somos mais fortes.

Texto: Paulo R.A. Lencioni – Facilitador de Processos Sociais

Fotos:  Mariana Pontes Campos

Para maiores informações:

– Carta de sistematização do VI ENGA

Site da REGA

– Facebook da REGA