4 Alternativas para um Natal consciente

Dezembro chegou e junto com ele aquele impulso irresistível pra gastar o dinheirinho extra de fim de ano em dezenas de compras que, no fundo, você não precisa. Sempre me impressiona a energia ensandecida com que as pessoas correm aos shoppings, lotando lojas e corredores numa corrida desenfreada rumo ao consumo fútil.

São tantos amigos ocultos, muitas vezes entre pessoas que você mal conhece e nem sabe como presentear. Tantas “lembrancinhas”, para que as pessoas saibam que você não esqueceu delas. Tantas embalagens, que, invariavelmente, irão direto para o lixo. Tantos objetos que já não estarão funcionando no próximo Natal. Pra que isso?

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Isso sem falar nas ceias absurdas, que dão mais gastos e trabalho do que prazer e que servem mais para alimentar a culpa dos que passaram o ano fazendo dieta pra perder os quilinhos extras adquiridos nas últimas festas, do que pra matar a fome propriamente dita. É tanta fartura pra uns e tanta faltura pra outros…

Será que precisamos mesmo de tantos presentes para demonstrar o nosso afeto? Desde quando um par de meias ou um sabonete, um tablet ou smartphone, valem mais do que um abraço sincero? Definimos o quanto gostamos de uma pessoa pelo valor do objeto presenteado? Quem está sem grana, desempregado, na pindaíba, não gosta dos seus familiares? Precisa ficar mais no vermelho do que o Papai Noel pra que não duvidem do seu amor?

Construimos essa cultura desde muito cedo. Ensinamos nossas crianças, desde a mais tenra infância, que o Papai Noel só traz presentes pra quem “se comportou direitinho” durante o ano. E traz presentes melhores pra quem se comporta melhor. Crescemos, descobrimos que o bom velhinho só existe na imaginação e nos sentimos na obrigação de presentear as pessoas para demonstrar o quanto são boas, o quanto elas “se comportaram bem” conosco.

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Sim, eu gosto do Natal, sempre gostei. Gosto de reunir a família, gosto do clima de reconciliação e confraternização, gosto de uma ceia caprichada, porém sem exageros. Gosto do Natal ainda mais desde que meu filho nasceu, no dia 25 de dezembro, nunca haverá pra mim maior presente.

Sim, eu gosto de dar e receber presentes, sempre gostei. Mas não gosto de ter que fazê-lo por mera obrigação cultural ou imposição do comércio. Gosto de presentear quando eu vejo algo que me lembra uma pessoa, independente da data. Gosto de dar coisas cujo valor afetivo é maior que o material. E adoro, amo, receber presentes inesperados, em qualquer época.

Mas onde eu quero chegar com tudo isso? Eu quero te fazer um desafio! Te desafio a não comprar coisas apenas para riscar um item da sua lista. Te desafio, neste e nos próximos Natais, a ser mais criativo! Tente, invente, faça um Natal diferente!

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1. Amigo oculto? Eu e meus amigos há muitos anos fazemos o amigo oculto do desapego. Escolhemos um objeto do qual gostamos e que teve um significado importante em nossas vidas, normalmente livros, filmes ou CD’s, mas que já não fazem mais tanto sentido nesse momento, embalamos cuidadosamente em embalagens recicladas e trocamos no dia que escolhemos pra celebrar mais um ano dessa longa amizade. Gostou da ideia? Pode copiar, nós vamos adorar!

2. Aproveite a onda do desapego e faça uma limpa no seu armário, no seu depósito, na sua garagem, na sua casa. Doe o que não faz mais sentido na sua vida, mas ainda está em bom estado, funciona e pode servir pra alguém, assim você ajuda outras pessoas a evitarem o consumo desnecessário. Não sabe como? Que tal o site Doabox, de quebra você ainda pode conseguir alguma coisa que esteja precisando, sem ter que pagar por isso. Outras opções são os grupos no facebook: Feira Grátis da Gratidão ou Liberte Suas Coisas

3. Prefere uma relação mais pessoal? Bazares e feiras de trocas são ótimas opções, econômicas e amigas do meio ambiente. Se não tem uma na sua cidade, por que você não organiza? Quer saber como? Dá uma olhada nesse artigo onde sugerimos alguns formatos.

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4. Mas se você quer mesmo comprar uma coisa novinha, com a cara de quem será presenteado, conheça a campanha Compro de Quem faz. Assim você contribui com artesãos e produtores em pequena escala e para de alimentar o trabalho escravo na China.

Em último caso, se nada disso te fizer a cabeça, vá ao shopping, compre o que for necessário, mas por favor, pare, pense e compre apenas o que for realmente necessário! Porque o extraordinário é demais…

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