Flash Back – Março de 2014

Gente! Março demora tanto pra chegar e vaia embora tão rápido! Ei, Março! Volta aqui! Ainda tenho muita coisa pra fazer com você! Nem escrevi os Flash Backs desse mês! Espera um pouquinho…

Chegou março com suas águas e o feriado de Carnaval foi dedicado ao primeiro módulo do Gaia Education, em Terra una, o social, com a participação super especial do José Pacheco. Kaiuá adorou conhece-lo, foi um momento muito especial e de muitas confirmações pra nós dois. Ganhamos confiança no nosso processo de desescolarização. Começamos bem!

O Gaia Education é um curso de design para a sustentabilidade divido em quatro módulos: social, econômico, ecológico e visão de mundo. Ele é oferecido em vários formatos virtual, encontros de finais de semana e imersivo. Eu escolhi o formato imersivo porque tinha disponibilidade e porque fazia parte da minha experiência pro Destino Sustentável. É um curso marcante, não apenas pelo conteúdo, não dá pra sair de lá ignorando certas coisas, mas também pelo formato imersivo de uma semana que proporciona uma experiência de comunidade curta, mas muito intensa. Recomendo para quem pode.

Sempre me perguntam “Kamala, qual formato você acha melhor?” Por favor, não me façam essa pergunta. Eu acredito que o melhor é aquele que você pode e consegue fazer. Conheço pessoas que fizeram o virtual e se envolveram tanto quanto ou mais do algumas que fizeram o imersivo. Quem faz o curso são as pessoas, não o formato.

Em Terra Una eles trabalham com valores solidários e com bolsas parciais em troca de trabalho na comunidade. Essa prática vem se tornado constante nesses tipos de curso, porque é uma forma de colocar a economia colaborativa em ação. Ninguém que realmente deseja fazer um curso fica de fora.

Nesse módulo conhecemos pessoas tão queridas que marcaram tanto nossas vidas durante todo o ano de 2014 e seguem conosco por esses caminhos tortos da vida. Eu não vou citar todo mundo, mas estão todos na foto aí em cima!

Foi uma virada de ano forte! Faço aniversário em março e é sempre um mês marcante pra mim. Foi aqui que começou minha jornada com o Destino Sustentável.

E pra fechar com chave de ouro participei de duas apresentações de Sociocracia, no Rio de Janeiro. Fiquei encantada. Mas esse é um tema que merece um texto só pra ele!

Coletor menstrual

Naqueles dias, daquele jeito, de chico, de boi, de bode, de paquete, incomodada, no fluxo, na lua, nas regras, regulada. São muitas formas de falar, muitos nomes, e muitas deles demonstram o preconceito, a distância e o silêncio que as pessoas mantém da menstruação. Embora se evite, há muito o que ser dito sobre o tema e ao contrário do que se pensa, não é um assunto do interesse apenas das mulheres.

Dentre todas as variações sutis de questões físicas, emocionais, mentais e, por que não, espirituais relacionadas a menstruação, eu escolhi me ater a mais concreta: o que você faz com o sangue, já que não nos é mais possível ficar em uma oca isolada, sangrando diretamente sobre a terra, em retiro meditativo? Eu confesso que adoraria ter essa opção, mas já fazem muitos séculos que minhas ancestrais usam algum tipo de absorvente.

Algumas mulheres mais velhas ainda se lembram, e contam com certo desprezo pelo passado, das toalhinhas que usavam antigamente. Se elas soubessem que os absorventes de pano voltaram ao mercado e o quanto são  mais confortáveis, higiênicos, saudáveis e ecológicos dos que os tais descartáveis… Mas dá um certo trabalho ficar lavando, embora acabe virando rotina, como lavar calcinha no banho. Eu entendo que muitas mulheres não consigam se readaptar a essa, digamos assim “tecnologia mais primitiva”.

Aprendemos desde a primeira menstruação a lidar com absorventes descartáveis, existem os internos, os externos, algumas variações de tamanho e pronto. Já há algumas décadas é assim. Você usa, tira, nem olha e joga fora. Dessa forma as mulheres conseguem manter uma “distância segura” do fato de estar menstruada. Se sentem mais limpas. Como se a menstruação fosse suja… Nem pensam pra onde está indo esse lixo e todo o resto que você produz.

O que é novidade, para mulheres de todas as gerações, ao menos aqui no Brasil, são os coletores menstruais. Ô invençãozinha incrível! O coletor menstrual é um copinho de silicone, um pouco maior e mais arredondado que um copinho de café descartável. Ele é introduzido no canal vaginal e fica ali preso por vácuo, coletando o sangue. Não vaza, não dói e não incomoda. Após algumas horas você tira, lava e coloca de novo. Simples e mais confortável do que qualquer outra coisa que você já usou e, de quebra, mas não menos importante: você deixa de produzir algumas quilos de lixos em absorventes descartáveis.

E não sou só eu que falo isso não! Dá só uma olhada nesse vídeo super divertido e informativo  da JoutJout:

Quando comecei a escrever esse texto (já faz mais de um ano) eu estava usando o coletor há alguns meses e andava super empolgada, querendo gritar pra todas as mulheres do mundo que elas precisam experimentar! Pode parecer uma mudança pequena, mas é muito poderosa e tem impactos que você nem pode imaginar!

Se todas essas vantagens não fossem o suficiente, nós temos mais um motivo pra você experimentar! Conseguimos um apoio do Inciclo, o primeiro coletor de fabricação nacional, para o projeto Destino Colaborativo. Na compra de um coletor Inciclo parte da verba será revertida para o projeto e você se torna uma colaboradora! Basta citar o código findhorn2015 na hora da compra. Mulheres do mundo, experimentem o coletor menstrual! Aguardamos seus depoimentos!

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Captação de Recursos Colaborativa

Estou começando um novo processo de captação de recursos. O objetivo é arrecadar R$1500 para participar de um curso de aprofundamento em Dragon Dreaming, que será realizado em Serra Grande, no sul da Bahia.

Por que é importante pra mim participar desse curso? Porque com o aprofundamento poderei facilitar processos de Dragon Dreaming em diversos projetos colaborativos que estão começando pelo Brasil afora. Eu acredito que a metodologia pode ajudar muitas pessoas a alinharem seus sonhos e traçar um planejamento coletivo para a realização dos projetos.

Um dos meios que vou utilizar para essa captação de recursos é a venda antecipada de massagens pelo valor promocional de R$100, que irei realizar em abril e maio no Rio de Janeiro e em julho e agosto em São Paulo. Outro recurso será a venda de filtros de voal para fazer suco verde e leite vegetal, no estilo pague o quanto quiser. Também irei utilizar a Captação Empoderada, da metodologia Dragon Dreaming, sobre a qual já falei aqui.

Se você gostaria de colaborar para a realização de mais esse sonho, entre em contato comigo! Sua contribuição será muito bem vinda! E você se torna mais um co-realizador do Destino Sustentável. Eu ganho, você ganha, todo mundo ganha!!!

Prometo que depois eu conto pra vocês como foi!!!

Ana Muniz

Hoje eu quero apresentar pra vocês uma moça linda e super talentosa que conheci no Vale do Capão, Chapada Diamantina, Bahia, a Ana Muniz. Ela é de Porto Alegre e estava viajando pelo Brasil divulgando seu belíssimo trabalho. Os CDs estão disponíveis no estilo pague o quanto quiser e eu senti uma afinidade imediata.

Não deixe de visitar o site e os canais da Ana!

Itapeco

Equipe Bailux-Itapeco

Uma das coisas que mais me surpreendeu desde  que comecei o Destino Sustentável foi a quantidade de iniciativas que estão germinando, em vários estágios: são pessoas que já tem uma terra e convidam outras para ajudá-las a realizar o sonho de começar uma ecovila, grupos de pessoas se organizando para comprar uma terra e começar  e outros ainda meio perdidos, mas querendo descobrir como podem dar o primeiro passo.

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  Eu, Jurgen Boltz e a alegria de encontrar gente que pensa como a gente. 

Dentre essas iniciativas destaco o Itapeco (Instituto de Tecnologia Alternativa, Permacultura, e ECOlogia), em Arraial Dájuda, Bahia, fundado por Jurgen Boltz, ex-programador do Vele do Silício e sua companheira. Eles estão começando a construir um espaço que irá pesquisar e praticar as possibilidades do encontro da Tecnologia com a Permacultura. Eu achei sensacional! Talvez porque eu tenha essa mesma visão, da compatibilidade de áreas aparentemente antagônicas, uma via ainda pouco explorada e compreendida.

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Em parceria com o Bailux (Bahia + Linux), um projeto de estímulo ao uso do software livre e reaproveitamento de computadores usados para iniciar os jovens da região na tecnologia livre, iniciado em 2005 pelo Regis Bailux, um amigo de longa data, eles pretendem iniciar a primeira FabLAb rural do Brasil. A ideia é promover o encontro de jovens da região com pesquisadores do mundo inteiro em encontros e atividades que serão promovidos no local. Nós adoramos a proposta e estamos acompanhando de perto!

Se você também gostou da ideia e quer saber mais entre em contato com eles através do blog do Bailux.

 

 

 

 

 

 

 



Agora sim, começa 2015! Parabéns pra mim!

Foi preciso um tempo de recolhimento. A abundância de lugares, pessoas, vivências, iniciativas inéditas e a inevitável expansão da consciência, decorrente de toda essa experiência do último ano, fizeram com que meu corpo imperasse uma desacelarada imediata. Nada grave, fiquem tranquilos. Apenas um desacelerada.  E para desacelerar, vocês sabem, nada melhor do que ir pra Bahia! A terra que transmite a sensação mais próxima de estar em casa que eu conheço. E isso tem um VALOR inestimável pra um ser humano que carrega a marca do nomadismo desde antes do nascimento.

Algumas pessoas acham lindo o que eu faço. Imaginam que viver viajando é estar em férias que nunca acabam. Mal sabem elas… Se conhecessem todo o planejamento e o trabalho envolvido na realização dessas viagem, que não é férias, provavelmente desistiriam na primeira parada, se é que chegariam a embarcar nesse sonho. Se soubessem das noites mal dormidas, do peso da bagagem, dos dias na estrada, da disposição de sair da zona de conforto que é necessária, talvez se juntassem ao coro dos que acham um absurdo viver assim.

Querem saber de uma coisa? A gente gosta! Mas as vezes cansa, confesso.

Os dois meses e meio na Bahia, foram de muitos reeencontros, novas amizades, muita cura do passado (e do futuro!), muitas lembranças e algumas novidades. Visitamos a família do Kaiuá Chapada Diamantina. Fiz um curso de thetahealing. Subi o Rio Caraíva de bóia! Consegui visitar o Calambrião, em Cumuruxatiba, um pedacinho de Bahia que eu esperava pra conhecer há 18 anos, onde um amigo pretende começar uma ecovila. Segurei, eu mesma, com minhas próprias mãos um bebê de jibóia! Há! Rimou! Acho que vale um poema! Conheci o Bailux – Itapeco uma iniciativa que está germinando e que, como eu, pesquisa a possibilidade de convivência harmoniosa na relação entre natureza e tecnologia, na busca de um estilo de vida mais sustentável.

Agora me foi dado o momento de máxima instrospecção, desde que eu comecei a me dedicar ao projeto. A hora mais escura antes do raiar de um novo dia. Me divido entre avaliar o ano que se passou, comemorar os aprendizados, atualizar as pendências que ficaram e a vontade de fazer nada e depois descansar (sequela pós Bahia)… No meio disso tudo tem os novos projetos  que já estão na pauta e não querem esperar! E eu estou apaixonada e já totalmente imersa em um deles, o Destino Colaborativo. Pelo nome vocês já percebem que é um projeto irmão do Destino Sustentável. O resto vocês descobrem aqui.

Embora o menor caminho entre dois pontos seja a reta, não é assim que o universo flui. Os padrões de crescimento sempre se dão de forma espirada. As conexões acontecem em rede. Por que então essa tendência de fazer planejamentos lineares? Seria o efeito de séculos do medieval pensamento cartesiano? Não consegui percorrer o caminho que pretendia no início, mas tive tantos encontros inusitados, sincronicidades incríveis, surpresas inesperadas… Sei que não poderia ser melhor do que foi. Por isso, sem medo, vos declaro: entrego-me oficialmente ao fluxo inevitável das coisas, sabendo onde quero chegar, mas aberta as imprevisibilidades dos caminhos.

Deixa eu contar um segredo, chega aqui pertinho, deixa eu falar baixinho pra não assustar quem está passando, as pessoas tem medo: sabe, eu decidi viver os meus sonhos… E sabe o que mais? Eles estão virando realidade! Hoje é meu aniversário e esse é o meu maior presente!

Kamala Aymara

Calambrião

Esse foi o lugar que mais esperei pra conhecer na vida. Foram 18 anos aguardando uma oportunidade. Valeu a pena! O Calambrião é um pedacinho de paraíso perdido no extremo sul da Bahia. Localizado em Cumuruxatiba, no município de Prado, fica a apenas 3 km da barra do Rio Cahy, local onde os portugueses avistaram e entraram em contato com os primeiros índios quando chegaram ao Brasil. É incrível que sua natureza se mantenha praticamente intacta até hoje.

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Foram dias de profunda instrospecção e conexão com a natureza exterior e interior… Até uma jibóia eu encontrei por lá e pela primeira vez na vida tive coragem de segurar uma cobra com as mãos. As cobras possuem diversos simbolismos e significados, em diferentes cultura. Para os hindús representa a eternidade em um desenho de uma cobra comendo o próprio rabo. Também gosto muito do significado de transmutação, atribuído pelos índios norte-americanos porque elas trocam a pele integral e periodicamente.

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Mas voltando ao Calambrião… Fui lá visitar um amigo querido que está pensando em começar uma Ecovila. Já pensou que incrível? Por enquanto é só a casa dele, encravada no alto das falésias com uma vista deslumbrante para o mar de um azul Bahia sem igual. A casa, construída no início dos anos 80,  é um projeto do Zanini. Sua decoração em estílo náutico nos faz sentir ainda mais próximos do mar, quase como num barco! Ela está disponível para aluguel parcial ou total. Vejam que linda! Gostou? Que conhecer? Entre em contato através da Fora da Rota Aventuras.

PS: fiquem tranquilos, a cobra não estava na casa.

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Destino Colaborativo!

São promissoras as possibilidades para esse ano, mas eu vou revelando aos poucos, conforme elas forem se tornando mais consistentes. Hoje quero apresentar pra vocês aquele que parecia o mais utópico dos projetos e, talvez por isso tenha imediatamente me cativado! O Destino Colaborativo foi idealizado por Patrícia Ribeiro, uma amiga que conheci quando visitei a Laboriosa 89, a casa colaborativa que a inspirou a realizar o projeto e que é uma das iniciativas mais bacanas que visitamos durante a viagem. A Patrícia já me conhecia da campanha de financiamento coletivo do Destino Sustentável e eu tenho pensado que a forma como nos conhecemos já foi um prenúncio do que poderíamos fazer juntas!

O sonho de contribuir para que outras pessoas tivessem uma experiência tão significativa como a que Patrícia teve em Findhorn, uma ecovila na Escócia – referência por ser uma das mais antigas e bem sucedidas do mundo – somado a sua experiência na Laboriosa 89, fizeram com que Patrícia tivesse a ideia de facilitar um grupo cuja proposta é cocriar e financiar uma viagem coletivamente, de forma distribuida, através da rede, e compartilhar todo o aprendizado adquirido antes, durante e após a viagem através do blog do Destino Colaborativo e de eventos, vivências e palestras. Claro que eu não podia ficar fora dessa!

Findhorn será nosso primeiro destino e para essa viagem está formado um grupo de 17 tripulantes que já está se organizando para realizar eventos e oferecer produtos e serviços para arrecadar fundos para a viagem. Em breve, lançaremos também uma financiamento coletivo. Se você gostou da proposta pode participar de diversas maneiras! Oferecendo os seus serviços e produtos pra rede, com um percentual dedicado ao projeto, consumindo produtos e serviços da rede, contribuindo com o nosso financimento coletivo e também como tripulante, nas próximas viagens que já estão sendo planejadas. Saiba mais no site do Destino Colaborativo e no grupo do facebook que é aberto, você será bem vindo!