Vivendo e aprendendo!

Meu nome é Rodrigo Andreazi, tenho 28 anos, formado em Processamento de Alimentos e Massoterapias Shiatsu, Tui Ná, Relaxante e Estimulante. A um ano mudei o destino de minha vida.

Tudo começou quando estudava Processamento de Alimentos e fomentava a ideia , com alguns amigos que faziam Psicologia, sobre o quanto a cidade é insustentável. Se não fosse a Roça dando comida para os supermercados, todos morreriam de fome… Se não fossem os rios distantes, todos morreriam de sede, pois não produzimos nem 1% do que se é consumido nas grandes cidades. Chegar a este pensamento foi perturbador, pois residia em São Paulo e já havia me dando conta que, para viver, só precisávamos de 5 coisas que começam com a letra A. Alimento, Água, Ar (estes três a natureza dá em abundancia o tempo todo), Abrigo (caso tenha uma tempestade) e Agasalho (caso faça um frio do capeta). Ou seja, as 5 coisas que começam com A, a natureza dá de graça. Daí que começa minha história…

Eu e esses meus amigos tínhamos vontade de construir uma Ecovila ou comunidade autossustentável, porém nunca fomos atrás disto, pois sempre algo na cidade nos segurava. Ou Estudos, ou empregos, ou namoradas… Sempre empurrávamos esta ideia para o futuro. Seis anos depois do início dessa ideia, já estávamos estudando outras coisas, com outros empregos, com outras namoradas e ainda não tivemos o passo inicial de correr atrás disso. Eu estava trabalhando numa clínica de Medicina Chinesa com minha ex-namorada, morávamos juntos e a vida estava na mesma, me limitando de ir atrás de um futuro melhor para meus futuros filhos, para a sociedade e para mim. Comecei a sentir dores na cervical irradiando para o trapézio, que é sinal de estresse… Veio na minha mente a ideia de Ecovilas novamente e comecei a pesquisar onde tinha e se aceitavam voluntários para eu conhecer e ver o que sentia. Isso foi ano passado e conheci o Instituto Pindorama, em Nova Friburgo, RJ. Me voluntariei para ficar lá 15 dias, conhecendo e aprendendo algumas técnicas de autossuficiencia. Fui aceito para poder chegar lá e fui conversar com minha ex-namorada (que era a atual namorada na época). Ela não gostou muito de eu ir para o Rio ficar 15 dias e disse com estas palavras: Eu acho que não é o momento de você ir, se você for, você vai solteiro… Como eu nunca gostei de chantagem e ela além disso era psicóloga, concordei e fui solteiro.

Chegando no Instituto Pindorama, me identifiquei muito com o local e já sentia que minhas dores na cervical e trapésio estavam diminuindo. Passou dois dias, eu não tinha mais dor nenhuma! Zero! O que concluí é que meu corpo e mente confabularam para eu sair de São Paulo no momento certo. Conheci pessoas fantásticas no Instituto, participei de cursos, do evento EBA (Encontro de Bioarquitetura) que estava acontecendo justamente naquelas semanas em Nova Friburgo e as coisas foram se desenrolando… Conheci a Ecovila Tibá do Jovan Van Legen (que escreveu o Manual do Arquiteto Descalço) e os fundadores da Ecovila El Nagual Mariana e Eraldo.
Ou seja, não consegui ficar apenas 15 dias no Instituto Pindorama, fiquei dois meses! Adorei a energia do casal Eraldo e Mariana e fui conhecer A Ecovila El Nagual que eles haviam fundado a menos de 3 anos. Fui para ficar 21 dias e aprender algumas técnicas de Permacultura. Nossa identificação foi tanta que fizemos alguns eventos juntos no local. Claro, também nao consegui ficar só 21 dias, fiquei 6 meses! Tive a oportunidade de conhecer e fazer Cursos do Gaia Education como o Dragon Dreaming e o Captaçao Empoderada de Recursos, Saneamento Ecológico com os LowConstrutores Descalzos entre outros. Tudo fluia perfeitamente bem, como aquelas dores que sentia na cervical e trapézio fossem um chamado para eu me desligar de São Paulo…

Depois de 6 meses, fui representar a ecovila no Evento do SOS Mata Atlantica chamado Viva a Mata no Ibirapuera em São Paulo. Senti um chamado de conhecer outros lugares depois de lá e respeitei esse impulso interno. Depois do evento, fui para a Vila Yamaguishi em Jaguariúna SP, conhecer as técnicas de produção massiva de alimentos organicos, sua produção de ovos da felicidade e principalmente SUA ECONOMIA. A vila Yamaguishi trabalha com Caixa Único. Ninguém recebe salário, vai tudo pro mesmo caixa. Quando precisam comprar algo, decidem em conselho para ver se é viável ou não. O Modelo Yamaguishi é mundialmente conhecido. A Maior comunidade do planeta. Só no Japão tem 40 vilas Yamaguishis. Em uma delas moram MIL PESSOAS. Tem até um tipo de Shopping dentro, que claro, ninguém paga nada pra pegar o que quiser… Apenas pega. Foi uma experiência fantástica conhecer este modelo…

Saindo da Vila Yamaguishi, fui para outro sítio de orgânicos em Casa Branca chamado Sitio A Boa Terra, que fazem trabalhos ecológicos com as escolas, grupos de faculdades e pessoas interessadas em uma vida mais natural. Uma energia muito linda conhecer o Joop e Tini, casal fundador do Sitio A Boa Terra, super empenhados em uma vida saudável. Produzem um Suco Verde delicioso!

Bom, e a vida agora vai me levando… Estou neste momento na ONG Estação Luz em Ribeirão Preto, fazendo trocas de saberes. Ajudando no que posso e me programando para ir em setembro para Alto Paraíso em Goiás (regiao da Chapada dos Veadeiros) conhecer algumas Ecovilas e Aldeias alternativas. A vida foi se desenrolando cada vez mais rápido nesse caminho de conhecer a Autossustentabilidade, como não depender das cidades.

Tem MUUUUITA gente, igual a Kamala, igual a mim, que busca se empenhar na construção de um mundo no qual queiramos pertencer. Um mundo mais leve, harmonioso, respeitando a natureza, sem vícios que a cidade nos impõe de consumo e mais consumo, sem estresse, sem poluição, sem trânsito… Em breve, o planeta se transformará no que sonhamos, planejamos, realizamos e celebramos.
AHOOOW!